Apneia central do sono durante a terapia CPAP: primeiras informações a partir de uma análise de macrodados
Os macrodados são uma forma promissora e inovadora de explorar questões de relevância clínica, identificar padrões e caraterísticas da doença e gerar hipóteses nos cuidados de saúde. Uma enorme quantidade de dados está agora disponível, e a crescer exponencialmente, a partir de várias fontes, incluindo dispositivos médicos telemonitorizados que estão ligados a bases de dados e fornecem informações sobre o desempenho do dispositivo e o estado do paciente. A análise desses dados pode fornecer novas informações e apoiar novas abordagens na gestão dos cuidados de saúde.
Numa análise inovadora, foram utilizados dados reais não identificados para caracterizar a Apneia Central do Sono (ACS) durante a terapia de pressão positiva contínua das vias aéreas (CPAP) de pacientes submetidos a telemonitorização nos EUA. A análise foi capaz de identificar 3 categorias de ACS durante a terapia CPAP, todas elas com impacto negativo na conformidade com a terapia CPAP e potencializadoras do risco de cancelamento da terapia.1
Uma segunda análise realizada na mesma base de dados descobriu que a mudança de CPAP para a terapia por ASV* em pacientes com ACS persistente ou emergente pode melhorar a adesão continuada ao tratamento e, portanto, melhorar também os resultados dos pacientes.2
Cada categoria está associada à diminuição da conformidade dos pacientes com o tratamento, e ao aumento do risco de desistência da terapia1
- A presença da ACS foi associada à diminuição das horas de utilização de CPAP e ao aumento da probabilidade de descontinuação do tratamento, em comparação com a AOS. A probabilidade de continuar a terapia CPAP no 300º dia foi de 83% para a AOS, e 79%, 76% e 72% para a ACS transitória, persistente e emergente, respetivamente.
- Os índices de perigo para o cancelamento da terapia, para os 3 grupos da ACS foram 1,3, 1,5, e 1,7, respetivamente.
- Estas conclusões foram consistentes ao utilizar tanto a definição da European Respiratory Society como a definição americana da ACS persistente (IAH ≥ 5/h ou índice de apneia central (IAC) ≥ 5/h).
Implicações para a prática clínica
Identificar a ACS residual com o ResScan
Os dados estatísticos do ResScan fornecem o IAH, o IA, o IAC, o Índice de Hipopneia (IH) e o Índice de Dessaturação de Oxigénio (IDO) (se utilizado com um oxímetro), o que permite identificar a ACS residual e a respiração de Cheyne-Stokes (RCS) durante a terapia CPAP.
1. Inicie sessão no ResScan
2. Aceda ao registo do paciente
3. Ir para “Definições”
4. Verifique se o paciente está na terapia CPAP/APAP ao observar o modo de terapia
5. Aceda a “Estatísticas”
6. Selecione as últimas duas semanas
7. Analise o IAH e o IA para confirmar se: IAH ≥ 15/h, IA > 5/h ou IAC > 5/h
1. Inicie sessão no AirView
2. Aceda ao separador de pacientes e clique na seleção sem fios para aceder ao painel sem fios
3. Analise os pacientes quanto à sua terapia de CPAP/APAP
4. Observe os pacientes com estes ícones
5. Clique no quadrado indicando um IAH demasiado elevado para ver dados detalhados
- Observe o IAH para ver se IAH ≥ 15/h
- Clique no paciente
- Ir para “Criar relatório” e selecionar “Relatório de conformidade e terapia”
9. Analise o relatório e procure IAC para ver se IAC > 5/h
Referências
*A terapia por ASV é contraindicada em pacientes com insuficiência cardíaca sintomática e crónica (NYHA 2-4) com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (FEVE ≤ 45%) e apneia central do sono predominante moderada a grave.
- Liu et al. Trajectories of Emergent Central Sleep Apnea During CPAP therapy. Chest. 2017;152(4):751-60.
- Pépin et al. Adherence to Positive Airway Therapy After Switching From CPAP to ASV: A Big Data Analysis. J Clin Sleep Med. 2018 Jan 15;14(1):57-63. doi: 10.5664/jcsm.6880.